AMAZÔNIA: oito mil quelônios são soltos no Rio Jauaperi (AM / RR), em ação de conservação promovida pela AARJ Extrativista, a Expedição Katerre e o Mirante do Gavião Amazon Lodge
- Andre Caetano
- há 10 horas
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Ameaçados de extinção, as espécies tracajá, iaçá, irapuca e tartaruga-da-amazônia são monitoradas pelo Projeto Bicho de Casco.

A AARJ – Associação dos Artesãos e Extrativistas do Rio Jauaperi, em parceria com Expedição Katerre e o Mirante do Gavião Amazon Lodge, devolveram ao Rio Jauaperi, na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, quase oito mil quelônios ameaçados pela captura predatória.
Em vigência desde 2010 e inserido no Programa Monitora do ICMbio e no PQA (Projeto Quelônios da Amazônia) do Ibama, o Projeto Bicho de Casco mobiliza integrantes de seis comunidades ribeirinhas ao largo de 100 quilômetros de rio. Os profissionais que se dedicam ao projeto são remunerados como uma forma de Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), em seus diversos ofícios: piloteiro, vigilantes, coordenadores. Para incentivar o aumento da quantidade de novos quelônios, além do salário mensal pelo período de vigília das praias, é adicionada uma recompensa extra por filhote que cumpre o ciclo de coleta, eclosão, e amadurecimento para soltura. E um bônus de 10% do total gerado pela soltura para a comunidade que participou do projeto.
Neste último ano, o projeto também passou a contar com o apoio da WCS (Wildlife Conservation Society), na orientação e aplicação de cursos de manejo e conservação da fauna, de maneira a aprimorar técnicas necessárias para que os resultados sejam cada vez mais satisfatórios e promissores.
MANEJO
É por volta de setembro quando as tartarugas chegam para a desova. Dá-se então a procura de rastros de quelônios e o início da fiscalização das praias. No momento certo, os ovos são cuidadosamente coletados e realocados em chocadeiras – sendo cada ninho identificado e numerado –, onde se desenvolverão longe de predadores e da ameaça de saques ilegais – até a eclosão. Com o devido registro de datas, depois de um período de 45 dias, entre janeiro e fevereiro, os filhotes estarão prontos e já fortalecidos para serem devolvidos em segurança à natureza. Esse processo aumenta as chances de sobrevivência dos animais, cuja taxa natural é de cerca de 1%. Contudo, sabemos que é ainda pouco perto da realidade de décadas atrás, quando em apenas uma praia, era possível observar ovos de quelônios na quantidade de milhões.
ECOTURISMO
A Expedição Katerre organiza uma saída especial no mês de janeiro para que os visitantes possam participar desta ação de conservação de soltura dos quelônios, em um roteiro de sete noites pelos rios Negro, Jaú e Jauaperi. Junto aos membros da AARJ Extrativista, eles acompanham a contagem e se emocionam com o momento de retorno dos filhotes às águas. Ruy Tone, um dos sócios da empresa de ecoturismo de base comunitária, fundada em 2004, incentiva a atividade como uma maneira de educar estes viajantes: “É uma forma de gerar consciência, e quando as pessoas retornam a esses ambientes, passam a valorizá-los mais”, afirma Tone.
Sobre a AARJ Extrativista: organização sem fins lucrativos fundada em 2004, localizada no Rio Jauaperi, na área da RESEX Baixo Rio Branco-Jauaperi (Decreto no 9.401 de 2018), na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, que visa promover a geração de renda por meio do artesanato fazendo o uso sustentável de fibras naturais (cipó, raízes, cascas de árvore, sementes) e refugos de madeira reaproveitados de construções ou mesmo apreensões (itauba, louro, maçaranduba, rouxinho), além de incentivar as atividades de ecoturismo de base comunitária. Representa uma alternativa sustentável as atividades predatórias tão comuns na região. A Associação foi promotora principal do Acordo de Pesca do Rio Jauaperi ( I.N.99, 24/04/06), do Decreto (9.401 05/06/2018) da Reserva Extrativista, Baixo Rio Branco - Rio Jauaperi, e é reconhecida como responsável para o projeto de proteção dos quelônios ameaçados e lidera a luta a favor da preservação dentro da Resex.
Sobre a Expedição Katerre: desde 2004 realiza roteiros fluviais em comunhão com as comunidades ribeirinhas do Rio Negro. Partindo do município de Novo Airão, a 200 km de Manaus, os roteiros regulares ou charters exploram o Rio Negro e seus afluentes, percorrendo maravilhas naturais em meio a privilegiadas unidades de conservação entre as quais o Parque Nacional de Anavilhanas e a Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco Jauaperi. A frota é composta de três embarcações: o Jacaré-açu com 8 cabines-suíte climatizadas, e o Jacaré-tinga com 3 cabines-suítes climatizadas, e a mais recente aquisição o luxuoso La Jangada, que abre uma nota rota de navegação ao largo do Rio Solimões com destino a Tabatinga e paradas para vivências em áreas de reserva e aldeias indígenas. Entre os serviços a bordo, incursões na natureza conduzidas pelos guias locais que compartilham seus saberes sobre a Floresta, e uma tripulação formada por capitão, marinheiro, camareiras e cozinheiras que recebe os visitantes com acolhida e simpatia genuína.
Sobre o Mirante do Gavião Amazon Lodge: aberto em Agosto de 2014, às margens do Rio Negro, em frente ao Parque Nacional de Anavilhanas, abriga treze espaçosos bangalôs erguidos em madeira de lei que remetem a forma de barcos invertidos, conectados por caminhos trilhados e passarelas em meio à floresta nativa. Seu restaurante Camu camu destaca os ingredientes amazônicos e seus peixes raros, em criações originais assinadas pela chef Debora Shornik, do restaurante Caxiri Amazônia, localizado no Centro Histórico de Manaus. Incursões pela Floresta fazem parte da estadia: trilhas guiadas pela mata; visitas às comunidades ribeirinhas; passeios de canoa pelos igapós na época das cheias; focagem noturna de jacarés e birdwatching com o acompanhamento de ornitólogo.
Fonte: PRESSPOD


